Avançar para o conteúdo principal

Conselho Nacional de Saúde recomenda arquivamento do Projeto de Lei que equipara procedimento de aborto legal a crime de homicídio

 

Conselho Nacional de Saúde recomenda arquivamento do Projeto de Lei que equipara procedimento de aborto legal a crime de homicídio

  • imagem sem descrição.

O Conselho Nacional de Saúde recomenda ao presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira o arquivamento do Projeto de Lei nª 1904/2024, e afins,que tratam de alterações no Código Penal quanto ao excludente de punibilidade para os casos de aborto previstos em lei.  

A Recomendação ad referendum nº 015 de 11 de junho de 2024 sugere também a promoção do debate democrático do tema na Câmara dos Deputados por meio de audiências públicas com a participação da sociedade civil organizada, o que não ocorreu já que o PL foi aprovado em caráter de urgência. 

Dentre inúmeras considerações jurídicas que constam no documento, o CNS fundamenta-se também em dados do Monitoramento da Violência de Gênero, publicado em julho de 2023, no 17ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontam que o Brasil registrou em 2022, o maior número de estupros de sua história (cerca de 205 por dia), sendo que 68,3% ocorreram dentro de casa e que esses crimes sexuais foram notificados por 74.930 vítimas (56,8% negras), entre as quais, 56.820 eram meninas menores de 14 anos, sendo 10% menores de 4 anos.  

Helena Piragibe, conselheira nacional de saúde pela União Brasileira de Mulheres (UBM) e coordenadora da Comissao intersetorial da Saude das Mulheres (Cismu/CNS), ressalta que o PL é extremamente nocivo especialmente para crianças, que são as maiores vítimas do crime de estupro no país. “Estamos falando de crianças, que são 70% das vítimas estupradas dentro de suas próprias casas. São meninas de 8 a 14 anos de idade que não sabem que estão grávidas. Estamos falando também de mulheres que correm risco de vida na gravidez e de pessoas com gestação de anencéfalos”, relatou.

O Brasil é signatário da Declaração e Plataforma de Ação da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, se comprometendo a “Assegurar que as mulheres e meninas gozem plenamente de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais e tomar medidas eficazes contra as violações desses direitos e liberdades”. 

A Recomendação reforça também que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, estabeleceu, em seu Art. 1º, que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, ou seja, o nascimento é o marco que confere o estatuto legal da pessoa humana. 

“Estamos falando da escravidão e de todas as opressões culturais e sociais  da elite dominante impôs ao Brasil, especialmente às pessoas pobres, de um sistema que vem de cima para baixo e nós ficamos ao lado dos nossos opressores”, reforça Piragibe. 

Audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Conselherias nacionais de saúde participaram de uma audiência, nesta quinta-feria (13/6), na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para reforçar o pedido de arquivamento do Projeto de Lei que equipara procedimento de aborto legal a crime de homicídio, conforme recomendação aprovada pelo CNS. Elas foram recebidas pela equipe de assessoras da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), presidente da comissão. Caso o arquivamento não seja possível em razão da tramitação do projeto, será pleiteada a rejeição desta matéria nas duas casas: Câmara e Senado.

cismu.camara.jpeg

“A gente está fazendo debate da manutenção da Constituição Federal, da garantia da vida, da saúde e dos direitos humanos das mulheres", ressaltou Shirley Morales, conselheira nacional de saúde e coordenadora-adjunta da Comissão de Saúde da Mulher do CNS. Ela ressaltou iniciativas em torno de mobilização tanto em âmbito nacional, com organismos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quanto internacionais, como com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os riscos deste projeto para as meninas e mulheres.

Acesse a Recomendação ad referendum nº 015 de 11 de junho de 2024

Conselho Nacional de Saúde


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Atenção para o cronograma de atendimentos do Centro Municipal de Saúde.

 

CNS e Opas lançam Laboratório de Inovação Latino-Americano de Práticas de Participação Social em Saúde

  O Conselho Nacional de Saúde (CNS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) lançaram, nesta quinta (20/10), o Laboratório de Inovação Latino-Americano de Práticas de Participação Social em Saúde. O objetivo é identificar, sistematizar e dar visibilidade às práticas exitosas de participação social em políticas públicas, voltadas ao aprimoramento das condições e dos serviços em saúde. Entidades e movimentos sociais que compõem o CNS, organizações públicas, estatais, instituições de ensino, igrejas e coletivos de populações específicas, entre outros atores, poderão participar e inscrever suas experiências. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo formulário online , até o dia 15 de dezembro. Para participar é necessário que a experiência já esteja em funcionamento. “Nós, enquanto espaços do controle social, construímos conhecimento no cotidiano, mas sistematizamos muito pouco. Esse laboratório vai possibilitar troca de experiências e compartilhamento de ...

Boletim epidemiológico sistematiza de forma inédita dados de saúde da população negra/ INFORME CMS/AG

  Boletim epidemiológico sistematiza de forma inédita dados de saúde da população negra Publicado: Sexta, 27 de Outubro de 2023, 13h57 Durante o lançamento do  Boletim Epidemiológico Saúde da População Negra, ministra Nísia Trindade anunciou que as notificações sobre a doença falciforme passam a ser compulsórias O número de mortes de gestantes por hipertensão caiu entre mulheres indígenas (quase 30%), brancas (-6%) e pardas (-1,6%), mas aumentou 5% entre mulheres pretas brasileiras entre 2010 e 2020. É o que apontam os dados do  Boletim Epidemiológico Saúde da População Negra , lançado nesta segunda-feira (23) pelos ministérios da Saúde e da Igualdade Racial. O levantamento também sistematiza, de forma inédita, dados sobre doença falciforme. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou que, a partir de agora, as notificações sobre a doença passam a ser compulsórias. A decisão será publicada no Diário Oficial da União esta semana. O documento também retoma a análise epide...