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Dia Mundial da Conscientização do Autismo: conheça a história do TEA

 

 

 Estamos chegando mês mais que importante Abril para a comunidade envolvida na causa autista. A campanha Abril Azul acontece neste mês com o objetivo de conscientizar a população sobre o autismo. Trazer essa visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) é muito valioso! Afinal, uma sociedade mais consciente é também menos preconceituosa e mais inclusiva. E por falar em inclusão, não é à toa que o tema do Dia Mundial de Conscientização do Autismo (2 de abril) desse ano foi: “Lugar de autista é em todo lugar!”.

 

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é celebrado em 2 de abril. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 e tem como objetivo servir como lembrete para que a população possa estudar e assim compreender mais sobre o espectro do autismo.⁣

De modo geral, todo mês de abril é marcado por diversas ações de conscientização sobre o autismo em todo mundo. No Brasil, a data também faz parte do calendário oficial, como Dia Nacional da Conscientização do Autismo. 

Neste artigo, explicamos mais sobre os marcos mais importantes da história do autismo e a importância de eventos como o 2 de abril. 

Por que 2 de abril é Dia Mundial da Conscientização do Autismo? 

O principal objetivo de 2 de abril é divulgar informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em nível global. A data, criada em dezembro de 2007 pela ONU, também é marcada por diversas ações promovidas por entidades civis e governamentais em busca de derrubar preconceitos e criar uma sociedade mais inclusiva. Ficando assim, conhecida como Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

A cor azul e o TEA

Durante as ações promovidas em razão do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, é comum ver prédios e monumentos, como a Estátua da Liberdade e o Cristo Redentor, iluminados em azul. 

A cor azul foi escolhida como um dos símbolos para representar o TEA devido ao grande número de diagnósticos em meninos – segundo as estatísticas, a proporção era de 4 meninos para cada 1 menina no espectro.

Por isso, especialistas acreditavam que meninos eram mais propensos ao diagnóstico do que meninas. Porém, anos mais tarde essa afirmação começou a ser refutada, especialmente porque começaram a surgir indícios de que meninas poderiam ser menos diagnosticadas devido ao fato de conseguirem camuflar os sinais de autismo e serem mais expostas a situações sociais desde cedo.

História do autismo 

O termo autismo foi usado pela primeira vez em 1908. Na época, o psiquiatra suíço Eugene Bleuler descreveu um grupo de sintomas relacionados à esquizofrenia. Segundo Bleuler, a palavra grega “autós” significava “eu” e a palavra “autismo” foi usada com a intenção de definir indivíduos com autoadmiração mórbida e retraimento dentro de si.

Foi somente em 1943 que o autismo passou a ser retratado como uma síndrome comportamental. Essa mudança ocorreu após a publicação da obra “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”, do também psiquiatra Leo Kanner.

No livro, foram citados onze casos de crianças que possuíam algumas características em comum, como:

  • Isolamento;
  • Desejo obsessivo pela preservação da mesmice;
  • Comportamento estereotipado;
  • Resistência a mudanças. 

O primeiro autista da história 

Entre os 11 casos de Kanner, estava o de Donald Grey Tripplett, hoje conhecido como caso 1, ou seja, a primeira pessoa diagnosticada com autismo no mundo

De acordo com relatos da família, Donald era uma criança completamente isolada, que nunca correspondia aos sorrisos da mãe ou quando chamado pelo nome. Sua linguagem era incomum e ele não brincava com outras crianças,  parecendo sempre distante dos outros. 

Por esse motivo, ele foi institucionalizado aos três anos de idade, em 1937, mas seus pais o levaram de volta para casa um ano depois. Nesse mesmo ano, Donald se consultou com o psiquiatra austríaco Leo Kanner, quando recebeu o diagnóstico e entrou para a história. Ainda vivo, Donald atualmente tem 88 anos. 

Kanner e as mães-geladeira

Foi também Leo Kanner quem iniciou o mito conhecido como mães-geladeira. Em sua literatura, ele chegou a definir que “tais mães só seriam capazes de descongelar o suficiente para produzir uma criança”. 

Esta hipótese foi defendida, durante anos, pelo psicólogo Bruno Bettelheim, criador do livro “A fortaleza vazia”.  Felizmente, os avanços na ciência e medicina derrubaram esta sustentação falsa. 

Síndrome de Asperger

Em 1944, mais um marco para a história do autismo aconteceu. Desta vez, o alemão Hans Asperger publicou suas observações de duzentas crianças por ele tratadas. Sobre elas, ele descreveu que observou características como: 

  • Falta de empatia;
  • Baixa capacidade de fazer amizades;
  • Conversão unilateral;
  • Intenso foco em um assunto de interesse especial;
  • Movimentos descoordenados. 

O trabalho de Asperger só ganhou reconhecimento 37 anos mais tarde, quando a inglesa Lorna Wing adicionou 31 novos casos ao estudo, e nomeou a condição de ‘Síndrome de Asperger‘.

Anos mais tarde, a nomenclatura foi descontinuada em manuais diagnósticos, como o DSM e a CID. E em 2018, estudos revelaram que Hans Asperger foi membro de várias organizações ligadas ao nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial. 

DSM e a Associação Americana de Psiquiatria

Em 1952, a Associação Americana de Psiquiatria publicou a primeira edição do DSM (Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais). O documento é referência mundial para pesquisadores e clínicos do segmento, e fornece as nomenclaturas e os critérios padrão para o diagnóstico dos transtornos mentais estabelecidos.

Nesta primeira versão, o autismo estava dentro dos sintomas da esquizofrenia infantil, depois passou para dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento e hoje tem uma categoria própria, os Transtornos do Espectro Autista (TEA). Atualmente, o manual está em sua 5ª edição. 

Autismo no Brasil 

No Brasil, a história do autismo também tem alguns momentos relevantes, marcados principalmente pela criação de legislações que garantem os direitos de quem está no espectro e suas famílias. 

Lei Berenice Piana 

Aprovada em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff, a Lei Nº 12.764 – conhecida como Lei Berenice Piana – determina que pessoas autistas sejam consideradas pessoas com deficiência para todos os efeitos legais. 

Lei Brasileira de Inclusão

Já a Lei 13.146, de 2015, é um conjunto de normas com o objetivo de assegurar e promover os direitos das pessoas com deficiência em todo território nacional. Ela também é conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Lei Romeo Mion

Aprovada em 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro, a Lei Nº 13.977 – ou Lei Romeo Mion, em homenagem ao filho do apresentador de TV Marcos Mion, que está no espectro, estabelece a criação de uma carteira de identificação da pessoa com autismo e coloca o autismo no novo censo do IBGE. 

CID-11

Uma das conquistas mais recentes da causa autista foi a publicação da nova edição do manual da CID (Classificação Internacional de Doenças e Transtornos Mentais, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento entrou em vigor em 2022.

Dia do Orgulho Autista: 18 de junho

Em 18 junho, comemora-se o Dia do Orgulho Autista, esta data foi criada pelos próprios autistas para todos que fazem parte do espectro (TEA). Isso porque muitos não se sentiam representados pelas ações promovidas em abril, no Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

A primeira edição do Dia do Orgulho Autista ocorreu em 2005, organizada pela Aspies for Freedom (Aspie é uma forma como muitos autistas se denominam, e é uma nomenclatura derivada de “Asperger”, da Síndrome de Asperger), dos Estados Unidos, com o objetivo de fortalecer o movimento da neurodiversidade e esclarecer a sociedade que o autismo não é uma doença e sim uma condição.

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Escrito por:

Gabriela Bandeira

 https://genialcare.com.br/blog/dia-mundial-da-conscientizacao-do-autismo/

 

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